A importância da Memória Empresarial

Quando pensa em Memória Empresarial, que ideias lhe surgem? Sabe a importância deste tema para a valorização das empresas e das marcas? Quando falamos de memória empresarial, falamos de todo o tipo de informação que confere propriedade, legitimidade, e poder às empresas. Mas não só: a memória empresarial é também um património, e constitui em si mesma um referencial de valores, cultura, conhecimento e identidade próprios e, nesse sentido, pode ter um papel determinante nos processos internos de gestão, transformação e crescimento das empresas.

Tudo isto é importante. Mas, caso esteja ainda cético sobre estas ideias, fixe bem o seguinte: a memória empresarial é cada vez mais um recurso indispensável para a estratégia de comunicação e para a competitividade das empresas. E vale a pena dar toda a atenção a isso porque, cuidar da memória tem retorno.

Posto isto, vamos tentar dar aqui algumas dicas sobre o que é, como se faz e para que serve.

 

O QUE É?

Memória empresarial, memória corporativa ou memória organizacional são apenas variações da terminologia que variam em função do contexto (fácil!) mas que, no essencial, todas se referem ao “conjunto da informação produzida por uma organização com valor para reutilização”. Esta definição muito sintética, que roubamos a Megill, um autor especializado nesta área, é ao mesmo tempo tão simples como curiosa.  A ideia de “reutilização” é a que nos parece mais interessante. Tem a ver com a possibilidade de revisitarmos determinada informação, preservada algures e, reciclando-a, decidir corretamente, resolver problemas, melhorar processos e até inovar. Pensar na informação como um recurso, ou a ideia de que a informação é “poder” é perfeitamente consensual. Concorda? E esse recurso, ao contrário de outros, não se esgota a cada vez que é utilizado, antes se valoriza!

Tente desviar-se das conceções da memória empresarial muitas vezes associadas a recordações nostálgicas, repositórios museológicos, arqueologia industrial… Não é tanto isso. Para as empresas, ter memória e cuidar dela, é um ativo.

Falamos de informação valiosa, exclusiva de cada empresa: mais que um currículo da atividade ao longo do tempo, é sobre a sua história, as origens, o saber e experiência acumulados, testemunhos, artefactos, conhecimento… E o mais provável é que esta informação esteja dispersa. Para a poder usar não basta possuí-la. Deve procurar dar-lhe uma forma e – muito importante – mantê-la acessível. E para recolher vantagens adicionais… é uma questão de a partilhar.

 

COMO SE FAZ?

O conceito de memória empresarial aparece muitas vezes associado à discussão de um problema mais abrangente sobre a gestão da informação, como seja o resgate, organização, conservação e partilha da informação. Esse é um tema delicado de que se ocupam muitas vezes os investigadores, historiadores e, particularmente, os arquivistas que, sobre isso, fazem um trabalho meritório. Sabemos, contudo, que a estes profissionais interessa essencialmente o valor documental dos fundos empresariais, material com valor histórico, e a sua preservação. Se tem material sensível na sua posse ou em risco de se perder, considere falar com um arquivista.

Para nós, no entanto, importa aqui salientar sobretudo o potencial da memória empresarial na sua vertente utilitária; ou seja, como este recurso pode levar à obtenção de benefícios, seja na administração quotidiana das empresas, seja na elaboração de estratégias de comunicação, internas e externas. Esses são os argumentos mais eficazes para sensibilizar os empresários. É essencial que os líderes nas empresas compreendam a importância do tema, e que tomem eles próprios a iniciativa de proteger essa memória. Diga-se, a propósito, que o simples cumprimento da legislação não é suficiente.

Olhando para o contexto português, em que historicamente prevaleceram os ideais de defesa do património, é percetível a ausência nas empresas de uma tradição focada na preservação e no reconhecimento do potencial dos seus arquivos, quer para a história, quer para seu próprio proveito económico. Felizmente, esse cenário começa agora a mudar e são cada vez mais as empresas que apostam no levantamento do seu reportório memorialístico, o transformam, disseminam e materializam nos mais diversos formatos: edições especiais, eventos comemorativos, multimédia, minimuseus, exposições, publicidade, etc.  

É por isso que, atendendo à finalidade dessas iniciativas/produtos, visando públicos e estratégias distintas, muitas vezes a gestão da memória empresarial é atribuída à área do marketing e da comunicação. Mas atenção, antes de se aventurar em incursões nessa área, lembre-se: O processo de preservação da memória empresarial (associação, instituição, clube, escola…), não se restringe a colecionar caixotes de papeis envelhecidos, dossiers empoeirados e algumas fotos antigas. E também não é apenas o impulso de criar produtos superficiais à volta disso.

O compromisso com a história obriga-nos à construção de narrativas autênticas para ativação da memória. Há formas responsáveis e criativas de se fazer isso (um livro é um bom exemplo), com os recursos e as competências ajustados a cada caso. Mas sempre implica um trabalho colaborativo, multidisciplinar, além de um planeamento estratégico de comunicação que envolve toda a estrutura da organização.

 

PARA QUE SERVE

Uma vez resgatada a memória empresarial, o seu potencial é imenso. Na sua vertente utilitária, a memória desempenha o papel do conhecimento adquirido, através da organização e consolidação experiências e saber coletivos, dando suporte aos processos de gestão, inovação e aprendizagem.

Ao nível das estratégias de comunicação, a produção de narrativas a partir da memória e a multiplicação de iniciativas voltadas para o passado são vistas como formas eficientes para a estimulação de significados e geradoras de identidade. Contar a história de uma empresa e as muitas histórias de que ela é feita pode, por um lado, reforçar a coesão de funcionários em torno de certos valores, por outro, fornecer referências para autorreferenciação e legitimação exterior.

Um projeto de memória empresarial pode proporcionar um excelente momento para construir a identidade coletiva. As datas comemorativas mais importantes (50 anos, 75 anos…) têm servido de pretexto para as organizações partilharem a sua história, procurando nessas ocasiões, a formação de um sentimento coletivo de posse e de orgulho em relação à empresa ou marca.

Porém, importa destacar que os projetos de memória não são apenas um esforço de marketing e de comunicação, mas que cumprem realmente o seu papel de resgate, organização e interpretação da história da instituição. Muitas dessa iniciativas prestam um serviço essencial para a compreensão e estudo do desenvolvimento económico e social, dando reflexo da influência das organizações num contexto mais abrangente, regional ou nacional.

 

Contar a história é uma excelente forma de preservar e ativar a memória empresarial

O risco de se perder o património empresarial, e com ele uma parte significativa da nossa própria história e identidade coletiva, é um problema ainda longe de estar resolvido. Se por um lado persiste essa ameaça, por outro, a negligencia com o passado, é simplesmente um desperdício incrível de oportunidade, na medida em que história e memória representam um recurso extraordinário para a prossecução de muitos objetivos nas organizações.

“Muitos, senão a maioria, dos problemas das organizações e empresas são problemas de informação. Se pudermos encontrar maneiras práticas de identificar e preservar a memória das organizações em que trabalhamos, as nossas vidas serão não apenas mais eficientes, mas também mais completas.”

Megill, KA. Corporate Memory. 2005

Portugal chega muito tarde a esta questão, e só agora começamos a ver alguns exemplos de uma maior sensibilização dos empresários para a importância da preservação da memória corporativa. A combinação de fatores, alguns económicos, sociais e políticos, outros tecnológicos, convergiram para tornar a identificação, preservação e reutilização (ativação) da memória corporativa ainda mais urgente.

 

É preciso desmistificar a ideia de que só as grandes empresas e as muito antigas possuem e podem beneficiar da memória empresarial. A dimensão e a longevidade são atributos que, por si só, não podem garantir esses resultados. Manter viva a memória empresarial é essencial para que possa recolher todas as vantagens de uma história única; a sua.

Uma história não contada eventualmente, perde-se. Arquivá-la é prudente. Mas, o que verdadeiramente vale a pena é tê-la ao nosso lado, dar-lhe uma vida nova e fazer dela uma inspiração no dia a dia das pessoas. Para isso há uma coisa só a fazer: contá-la. Conte a sua história hoje mesmo. E deixe que a STORICA o ajude a fazê-lo de uma maneira especial.

Vamos a isso?

Paulo Almeida

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