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	<title>forbes &#8211; Storica</title>
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		<title>Mulheres que comandam impérios em Portugal</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2021 10:18:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[por ALEXANDRA TAVARES TELES &#8211; 08/03/2021 &#8211; Notícias Magazine Cláudia Azevedo, Paula Amorim e Maria Cândida herdaram um negócio e tradição familiares. Isabel Vaz abandonou a engenharia, apaixonada pela gestão, e Isabel Mota cedo escolheu os números. Cinco vidas, de gerações diferentes, marcadas pela figura paterna, conscientes do poder que detêm &#8211; o de comandar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="post-author-name">por ALEXANDRA TAVARES TELES &#8211; <time class="entry-date updated td-module-date" datetime="2021-03-08T14:31:29+00:00">08/03/2021 &#8211; Notícias Magazine</time></div>
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<p>Cláudia Azevedo, Paula Amorim e Maria Cândida herdaram um negócio e tradição familiares. Isabel Vaz abandonou a engenharia, apaixonada pela gestão, e Isabel Mota cedo escolheu os números. Cinco vidas, de gerações diferentes, marcadas pela figura paterna, conscientes do poder que detêm &#8211; o de comandar pessoas, de moldar a agenda nacional, de interferir na economia e no destino de muitos portugueses. Cinco das mulheres mais poderosas de Portugal, segundo a “Forbes”. Negociadoras duras, avessas a meias-palavras. Exceções num Mundo sem paridade. Basta dizer isto: na Bolsa, apenas pontuam duas: as líderes dos grupos Sonae e Amorim.</p>
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<p>Paula Amorim gosta de lembrar a frase dita pelo estilista Tom Ford quando escolheu o Grupo Amorim para acionista e membro do Conselho de Administração da Tom Ford Internacional: “Alguém que espera nove anos para ter cortiça é o parceiro certo”. Perseverança e visão a longo prazo são, para a mulher mais rica de Portugal, os traços fortes de um percurso de 150 anos, com a cortiça na génese. Uma história contada pelo Mundo, do cais de Gaia (1870) ao Grand Canyon: “Até naquele lugar recôndito, num piquenique de família, ao abrir uma garrafa de espumante americano, encontrei a rolha Amorim”.</p>
<p>Do pai herdou “esse orgulho” e a liderança de um dos maiores grupos empresarias, legado com evidentes privilégios, mas enormes custos de comparação. Américo Amorim era um negociador duro, um homem de instinto certeiro, matriz patriarcal que a filha mais velha não pode ignorar. Apresenta-se por isso determinada, poderosa, decidida, contrapondo ao abandono precoce da formação académica o instinto apurado. “Só quem a conhece de perto, vê melhor a sua sensibilidade, às vezes, até a sua timidez”, diz o jurista António Lobo Xavier.</p>
<p>Líder do grupo que detém a fortuna Amorim e chairman da Galp Energia desde outubro de 2016, Paula fez caminho próprio no setor do luxo e da moda, com a Amorim Luxury (Fashion Clinic, e a marca JNcQUOI). Comanda um império de três mil milhões de euros.</p>
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<p>Cláudia Azevedo, Paula Amorim e Maria Cândida herdaram um negócio e tradição familiares. Isabel Vaz abandonou a engenharia, apaixonada pela gestão, e Isabel Mota cedo escolheu os números. Cinco vidas, de gerações diferentes, marcadas pela figura paterna, conscientes do poder que detêm &#8211; o de comandar pessoas, de moldar a agenda nacional, de interferir na economia e no destino de muitos portugueses. Cinco das mulheres mais poderosas de Portugal, segundo a “Forbes”. Negociadoras duras, avessas a meias-palavras. Exceções num Mundo sem paridade. Basta dizer isto: na Bolsa, apenas pontuam duas: as líderes dos grupos Sonae e Amorim.</p>
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<div class="the-content">
<p>“Sou persistente, resiliente, calma e audaz.” Definir estratégias, é um prazer. Dinheiro, “um meio para o negócio”. Luxo? Tempo.</p>
<p>Tinha 15 anos (1985) quando o pai abriu o primeiro hipermercado. Vinte, quando lançou o jornal “Público”. Trinta, quando a Sonaecom foi admitida na Bolsa de Lisboa. Entrou nos 40 a celebrar meio século da marca e aos 50 era já presidente executiva da multinacional. A Sonae está em 90 países, tem mais de 50 mil funcionários – é o maior empregador privado português -, 20 mil acionistas, receitas de 5,7 mil milhões de euros em 2017.</p>
<p>Cláudia Azevedo, a herdeira discreta desse império, é capaz de deixar claro, numa frase, ao que vai. Resoluta, não faz nada ao acaso. Nem quando defende projetos que o senso prático poderia já ter condenado, como é o caso do “Público”, o jornal que lhe deve, nestes anos de crise, a sobrevivência.</p>
<p>Nasceu em 1970, no Porto. Um ano mais velha do que Paula Amorim, Azevedo, portista ‘doente’, empenhou-se numa preparação académica cuidada. Entrou na Sonae aos 24 anos provando saber fazer a ponte, nas áreas da Comunicação, Publicidade e Marketing, entre o mundo novo e pouco convencional da tecnologia, tal como se apresentava no início do século, com a organização conservadora da marca.</p>
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<h3><strong>Poder e discrição</strong></h3>
<p>Não é fácil encontrar quem se disponha a descrever a gestora. Vários amigos afirmaram “não ser oportuno”. Quando se trata da presidente da Sonae, nunca é. Sabe-se, porém, que convive melhor com decisões cortantes, por muito impacto que tenham em vidas reais, do que Paulo, o irmão a quem sucedeu. E que é também menos frugal. Cláudia aprecia gastronomia sofisticada, vinhos de excelência, uma gargalhada. Em “petit comité”, revela a ironia, o humor negro, adere à conversa fútil, à má-língua divertida. Convívios que se estendem pela madrugada, com amigos que gosta de receber em família.</p>
<p>É este o quadro intimista – com o marido e dois filhos, Lucas de 17 anos e Margarida de 13 – sempre preservado, que os amigos temem revelar. O gestor Pedro Moreira da Silva é um dos poucos que arrisca uma breve declaração: “É uma pessoa tenaz, tal como o pai era. E muito pragmática”. O designer de interiores José Pedro Lopes Vieira completa: “Muito observadora, muito rápida e eficaz na avaliação. Sabe exatamente o que quer e o que não quer. Tem um gosto clássico, inglês, confortável, que mistura com alguma contemporaneidade”.</p>
<p>Classicismo mesclado de contemporaneidade é o retrato de Maria Cândida Rocha e Silva. A presidente do Banco Carregosa fala-nos de casa, na Foz, sentada defronte ao mar. “Está um dia lindo, no Porto”, conta em conversa telefónica, o contacto possível em dias de confinamento.</p>
<p>“A casa fala com ela e dela”, diz a economista Fátima Sousa Pereira, amiga antiga. “Gosto muito da minha casa. Tem apenas as coisas de que gosto e que me alegram, sem ser ostensiva. Vivo-as muito.”</p>
<p><img loading="lazy" class="alignnone wp-image-5119 size-full" src="https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/7.jpeg" alt="" width="768" height="512" srcset="https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/7.jpeg 768w, https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/7-300x200.jpeg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p><em>Maria Cândida Rocha e Silva, presidente do Banco Carregosa, foi a primeira corretora da Bolsa portuguesa</em><br />
<em>(Foto: Rita Caldeira Salgado/DR)</em></p>
<p>O pequeno-almoço é um momento feliz. A maçã madura, as torradas com queijo, um café, saboreados devagar. O almoço diário com uma das duas filhas, “outra delícia”. Pela companhia, pela “comida simples, mas muito bem-feita”.</p>
<p>Aos 77 anos, Maria Cândida Rocha e Silva constrói os dias assim, “com serenidade”. Gosta de teatro, de poesia, e só a pandemia a afasta de acompanhar a temporada de ópera em Verona, liturgia praticada há três décadas, a que já aderiram os netos.</p>
<p>Nasceu em Vila do Conde. Em 1944, a terra de pescadores, “muito atrasada e preconceituosa”, dividida em castas, contrastava com a rapariga “cheia de humor e sentido crítico, fascinada por desafios, sem paciência para a estupidez, o atraso, o atavismo”, recorda Joaquim Sousa Pereira, amigo de infância.</p>
<p>Com 30 anos, de regresso ao Porto depois de uma estadia em África, Maria Cândida trocou a Filologia Românica por uma carreira sustentada no negócio paterno, a L.J. Carregosa, instituição portuense de câmbios fundada em 1833, com sede na Rua das Flores. Aos 36, tornou-se a primeira corretora oficial na Bolsa portuguesa, “vivendo intensamente o mundo financeiro da década de 80” com uma carteira de clientes que não andavam a brincar – Belmiro de Azevedo era um deles.</p>
<p>Primeira e única portuguesa fundadora de um banco – o Carregosa – fez crescer a marca ao longo de 50 anos, com créditos reconhecidos e prémios na área do empreendedorismo e excelência profissional (”Embaixadora do Empreendedorismo Feminino”, entregue em 2010 pela Comissão Europeia).</p>
<p>Polida, mas assertiva, a simpatia não a impede de cortar a direito. Muito discreta e reservada, muito direta e exigente, dizem os colaboradores. “Não a queiram ver zangada”, avisa o amigo de infância.</p>
<p>O dinheiro é um bom servo em um mau senhor, gosta de afirmar. “Acredito que vejam em mim uma pessoa poderosa porque sou o rosto de um banco. Não me importo que as pessoas saibam que tenho esse poder, mas não gosto de o usar.”</p>
<p>Divorciada, vive com o irmão. “A família, o banco, os amigos e os prazeres culturais preenchem os dias da banqueira. “Poder ter os meus à minha volta, e ver os netos crescerem com valores, traz-me muita alegria ao coração.”</p>
<h3><strong>A arte de negociar</strong></h3>
<p>Em Lisboa, a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian está sentada à mesa que junta em almoços de domingo a numerosa família: patriarcas, quatro filhos e 11 netos. Ao telefone, uma voz muito jovial. “Sabe que a mais velha já tem 20 anos?”, pergunta Isabel Mota.</p>
<p>Almoços “muito engraçados, em que se discutem muitos assuntos, política, inclusivamente, sendo que há para todos os gostos, da Direita à Esquerda”. E muita algazarra: “Mais parecemos uma família italiana”.</p>
<p><img loading="lazy" class="alignnone wp-image-5120 size-full" src="https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/8.jpeg" alt="" width="768" height="514" srcset="https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/8.jpeg 768w, https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/8-300x201.jpeg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p><em>Isabel Mota preside a uma das maiores e mais influentes instituições do país, a Fundação Calouste Gulbenkian</em><br />
<em>(Foto: João Henriques/DR)</em></p>
<p>Solta a gargalhada célebre, por ser tão contagiante e frequente.</p>
<p>– Quem cozinha para essa gente toda?</p>
<p>– Olhe, eu é que não sou.</p>
<p>Nova gargalhada. Os filhos sorriem quando a ouvem dizer que em tempos era ela quem cozinhava. “Isso é ficção, mãe.”</p>
<p>Pede desculpa pelo telefonema atrasado. “Nunca ando a horas e sou muito impaciente. Dois grandes defeitos.”</p>
<p>Impaciência conjuga mal com o perfil de estratega eficaz, reconhecido depois de arcar com a responsabilidade da negociação dos fundos estruturais e de coesão com a União Europeia nos anos 1980, no Governo de Cavaco Silva. “Apesar de impaciente e também muito emotiva”, explica, “há dois pontos essenciais que nunca perco de vista numa negociação: o objetivo que é suposto atingir e o respeito pela outra parte. Não pode nunca ser humilhada”.</p>
<p>Nascida em 1951, Isabel Mota tinha cinco anos quando o Estado português aprovou os estatutos da Fundação Gulbenkian. Seis décadas depois, é líder de uma das maiores e mais influentes instituições do país. “Muito prestigiada, com um papel único em Portugal e figuras de prestígio na presidência. É um lugar de peso. Acho que são essas as razões por que poderão ver-me como uma mulher poderosa.”</p>
<h3><strong>A importância da lealdade</strong></h3>
<p>Isabel Mota conhece bem o grupo Luz Saúde. Nele trabalha Francisco, um dos dois filhos que escolheram a gestão hospitalar. Avaliado em 550 milhões de euros, o Luz Saúde tem 15 mil funcionários, 30 unidades hospitalares, 590 milhões de euros em volume de faturação (dados de 2019). E tem Isabel Vaz, a gestora que já recusou um convite para ministra com a mesma certeza que a levou a desistiu da engenharia. “Não tenho esse chamamento. Sou uma operacional sem queda para os jogos políticos. Não é da minha natureza, seria um alvo político muito fácil.” Define-se como um “espírito inquieto, insatisfeito, sempre a sonhar coisas”. Por isso, “o poder não me serve para mandar nos outros, mas para fazer. E só para isso”.</p>
<p>Convicta, não é fácil conseguir que mude de opinião. “É extremamente assertiva, muito opinativa, com gosto em afirmar as suas posições, o que leva a episódios engraçados de tensões positivas”, realça Filipe de Botton, que conhece Isabel há mais de 20 anos, acrescentando: “Ou nos pomos a pau ou ela ganha rapidamente ascendente. No debate intelectual, é tremenda. Pode ser agressiva, muito forte nos argumentos, roubando espaço à parte contrária”.</p>
<p><img loading="lazy" class="alignnone wp-image-5121 size-full" src="https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/9.jpeg" alt="" width="768" height="512" srcset="https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/9.jpeg 768w, https://storica.pt/wp-content/uploads/2021/03/9-300x200.jpeg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></p>
<p><em>Isabel Vaz está à frente do Luz Saúde, que conta 30 unidades hospitalares, 15 mil funcionários e 590 milhões de euros em volume de faturação</em><br />
<em>(Foto: Frederico Martins/DR)</em></p>
<p>Não é raro tratar desconhecidos por tu. Vê-la desconcertar interlocutores com anedotas picantes. “Nela não fica mal. Ela pode. É muito divertido ver a cara das pessoas. Ficam entre o envergonhado e o espantado.”</p>
<p>Fisicamente, Isabel descreve-se “pequenina e de olhos expressivos. Com um body language poderoso. É difícil as pessoas não perceberem o que estou a apensar”. Nada que a preocupe.</p>
<p>Zanga-se com “o desmazelo argumentativo”. Quer distância de “trapalhões e de gente impreparada”. Procura o detalhe com obsessão e reconhece o constrangimento que a assertividade com que defende as ideias pode provocar em colaboradores.</p>
<p>Em quase duas horas de conversa telefónica recorreu com frequência a duas palavras: tolerância e lealdade. “Cresci em Setúbal, tive amigos muito ricos e amigos muito pobres, amigos do CDS e amigos comunistas. Por isso, sou tolerante e profundamente democrata.” As picardias com o Bloco de Esquerda maçam, mas não a moem.</p>
<p>A traição, sim. “Competência é um valor fundamental, mas não chega. Já prescindi de competência por verificar que faltava caráter. Nesta casa, se alguém pensa que sobe traindo outra pessoa está enganada. É a forma de não subir nunca.”</p>
<p>A viragem do século foi decisiva na vida profissional da gestora. A convite de Ricardo Salgado iniciou a criação do então Espírito Santo Saúde. Pedra a pedra. Comandou a operação que levou a empresa para a Bolsa e manteve a liderança depois de os chineses da Fosun comprarem o grupo. Pelo meio, viveu dias “terríveis” com a queda do BES e o colapso de Ricardo Salgado. “Que desilusão. Olho para isso com uma profunda tristeza. Quando aconteceu, entrei em modo sobrevivência. Em defesa da empresa e dos trabalhadores. Foram os piores dias da minha vida profissional.” Branquinho da Fonseca, membro do Conselho de Administração, testemunhou o processo: “Nos grandes problemas, a Isabel reage de forma muito fria, muito ponderada, muito refletida”.</p>
<p>De regresso a Isabel Mota. “Nunca programei a minha vida”, confessa. Porém, dois convites marcam o seu percurso profissional: o de Valente de Oliveira, nos anos 1980, para secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, e o de Rui Villar, em 1996, para uma direção da Gulbenkian.</p>
<p>“A Isabel é uma grande negociadora”, começa por dizer Valente de Oliveira. “Estuda muito bem os processos, tem uma grande intuição e uma qualidade fundamental: firmeza. Sabe o que quer negociar e não perde o objetivo.”<br />
Alexandre Relvas pertenceu ao mesmo Governo. “Recordo que não é nada fácil negociar com a Isabel. Reuniões tensas a tal ponto que no dia seguinte lhe enviava uma caixa de chocolates.”</p>
<p>Rui Vilar lembra a “inteligência, a enorme capacidade de empatia. “Quando esteve na Direção de Recursos Humanos, teve de lidar com alguns cortes e negociou com os colaboradores conciliando todos os interesses, mantendo a paz social.”</p>
<h3><strong>“Paizite” aguda</strong></h3>
<p>“O pai foi tão importante. Quando fui nomeada corretora oficial da Bolsa, tinha para mim uma casa de 1833, com nome honrado na praça. O meu pai já me tinha introduzido no meio do mercado dos capitais. Para que pudesse aprender com ele. A minha mãe dizia que sofro de ‘paizite’ aguda”, conta Maria Cândida. “Estarei à altura?, perguntou-se há muitos anos. “Hoje, diria ao meu pai que mereci o que me deixou. Que não estraguei, melhorei. Que aproveitei tudo.”</p>
<p>Paula tem em Américo Amorim “a maior influência pessoal”. Procura em si “o lado irreverente, audaz”, que conheceu no pai. “Vêm dele os valores que estou a transmitir aos meus filhos.” Porém, bateu-lhe o pé.</p>
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<p><em>Paula Amorim comanda o grupo que detém a fortuna Amorim (três mil milhões de euros) e é chairman da Galp Energia</em><br />
<em>(Foto: Frederico Martins/DR)</em></p>
<div class="the-content">
<p>Apesar de ter sido eleita, quis provar ao pai que podia virar-se sozinha e comprou a Fashion Clinic. Acha que se preocupou? Entendeu que devia afirmar-se e o pai reconheceu-lhe autonomia. Este é um traço de liderança importante”, observa José Luís Arnaut, amigo próximo. Tal como o pai, “não tem medo da sombra nem gosta da graxa. Na empresa tem distribuído jogo porque é segura de si”. Mais velha das três filhas, ouvia a mãe dizer: “Tivemos sorte, se fosse um rapaz ou era igual a ele ou seria a pessoa mais infeliz do Mundo”.</p>
<p>Belmiro de Azevedo foi pai de dois rapazes. Mas nem por isso esqueceu a benjamim. “Ouviu muito o pai, e tomou boa nota das coisas boas que ele ensinou; e embora o adorasse, foi sempre capaz de uma visão crítica e de separar o que nele havia de bom e mau”, assinala quem assistiu à relação. A única filha de Belmiro é provavelmente a mais parecida com o pai.</p>
<p>Também Isabel Mota reconhece em si o progenitor. Filha de um oficial da Marinha de Guerra, “exigente e rigoroso”, herdou dele “os sentidos do rigor e da responsabilidade”. “Isabelinha, contrapunha a minha mãe, não trabalhes tanto. Há mais coisas na vida. Sempre tentei equilibrar os dois ensinamentos.”</p>
<h3><strong>Mães e avós</strong></h3>
<p>Uma certeza precoce, a de que gostaria de ter uma família grande. Aluna brilhante, começou a namorar com o futuro marido aos 15 anos. “O Rui tem uma importância extraordinária na vida da Isabel”, salienta Rui Villar. “É um homem à frente do seu tempo”, adiciona Isabel Mota.</p>
<p>Pessoalmente, dois marcos incontornáveis, tão felizes, quanto dramáticos: “A constituição da minha família e o acidente de um dos meus filhos, um pedregulho brutal que me caiu em cima, medo que de vez em quando ainda me assalta”.</p>
<p>Isabel Vaz aprendeu com o pai “a amar a vida de hospital”. Filha de um médico do Serviço Nacional de Saúde, a gestora cresceu e foi precocemente marcada pelo ambiente dos médicos, dos doentes, das doenças. “Tive a felicidade de ver o meu pai visitar o Hospital da Luz, em 2007. Foi uma imensa alegria para mim.”</p>
<p>A maternidade aos 49 anos de Paula Amorim é um caso “de muita determinação e, sobretudo, de muito amor”, diz a prima Cristina Amorim. “Julgo que, de todos nós, só a Paula teria esta coragem e esta determinação. Um recomeçar com mais maturidade, experiência, estabilidade; com enorme apoio dos filhos Rui e Francisca, do marido, da mãe – crucial para a Paula – e, obviamente, da família e amigos.”</p>
<p>Pessoalmente, “longe de se assumir supermulher sem fragilidades, é amiga, doce e sensível, sabe ouvir e sabe perceber os outros, e não procura disfarçar as suas angústias”, considera Lobo Xavier. José Luís Arnaut está feliz pela amiga: “Com o Miguel (Bleck Guedes de Sousa), a Paula desfruta da vida. A determinação em ter esta bebé prova isso mesmo”.</p>
<p>Rui Moreira conhece Paula Amorim há 30 anos. “Sendo que já na altura era muito rica e com um pai muito poderoso, recordo uma pessoa muito simples, de relacionamento fácil. Muito cuidadosa com o pai e com a mãe, uma relação espantosa.” E o autarca do Porto acrescenta: “Quando estamos com ela, nunca pensamos que estamos coma mulher mais rica de Portugal”.</p>
<p>Isabel Vaz, a brincar a brincar, vai dizendo que gostava de ser avó. Os amigos têm dela uma imagem que em nada se coaduna a esse papel. “Daqui a dez anos vejo-a a gerir o seu próprio negócio, com a força de sempre. Merece”, vaticina Filipe de Botton.</p>
<p>O mandato de Isabel Mota na Gulbenkian termina dentro de um ano. Rui Vilar e Valente de Oliveira veem na amiga um nome a ter sempre em conta. “É uma senadora da nação.”</p>
<p>Gargalhada. “Sou nada.” Já a Gulbenkian, frisa, “é mais do que a soma das partes”. Por isso, gostava de deixar “uma marca” na inovação social. “Talvez depois me reforme”. Se assim for, tem uma única certeza: “Nunca mais comprarei um blazer”.</p>
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